Do Ginosshushu ao Ikusei Shuro: Uma nova era para quem quer crescer profissionalmente no Japão

Vida no Japão

Se você acompanha as notícias, já deve ter ouvido falar que o antigo sistema de “Estagiário Técnico” (Ginosshushu) está com os dias contados. Em 2026, estamos vivendo a transição para o novo modelo chamado Ikusei Shuro (育成就労), ou Sistema de Treinamento e Emprego.

Mas o que isso muda na prática para nós, brasileiros, que já estamos aqui ou para quem deseja vir? Como alguém que já passou pela fábrica, pelo Kaigo e hoje atua na tecnologia, vejo que essa mudança traz uma liberdade que antes não existia.

1. A liberdade de trocar de emprego (Tenshoku)

A maior falha do sistema anterior era a impossibilidade de mudar de empresa. No novo Ikusei Shuro, após um período (geralmente de 1 a 2 anos) e cumprindo certos requisitos de idioma e habilidade, o trabalhador terá o direito de mudar de empregador dentro do mesmo setor.

Isso cria um mercado mais justo. Se uma empresa não oferece boas condições, agora você terá a chance de buscar algo melhor.

2. O caminho direto para o Visto Permanente

O objetivo do Ikusei Shuro não é apenas “usar” a mão de obra por alguns anos, mas sim treinar para fixar. O sistema foi desenhado para que o trabalhador evolua naturalmente para o visto de Tokutei Ginou (Habilidades Específicas).

  • Uma vez no nível de Tokutei Ginou 2, você pode trazer sua família e, eventualmente, solicitar o Visto Permanente.

3. A barreira (e a chave): O Idioma Japonês

Aqui entra a minha experiência de 20 anos: a nova lei exige níveis mínimos de proficiência em japonês (iniciando no N5 e subindo para o N4). Não veja isso como um obstáculo, mas como a sua ferramenta de proteção. No Japão, quem não fala a língua acaba aceitando condições piores por falta de opção.

Dica de Ouro do “Dicas do Japão”:

  • Não espere o sistema mudar: Se você está em uma empreiteira (Haken) ou fábrica, e não tem domínio da lingua ainda, então comece a estudar para o JLPT agora.
  • Pense a longo prazo: O Ikusei Shuro valoriza quem quer se especializar. Seja na manufatura, construção ou agricultura, tornar-se um “especialista” é o que vai garantir seu emprego no futuro, mesmo com a automação.

Conclusão

O Japão finalmente entendeu que precisa de residentes, não apenas de passantes. O Ikusei Shuro é o primeiro passo para uma integração mais digna. É hora de parar de ser apenas “mão de obra” e começar a ser um “profissional qualificado”. Veja esse obstaculo como uma chance para ter uma vida mais estável no Japão.


💬 Você acha que a liberdade de trocar de empresa vai melhorar as fábricas no Japão? Deixe sua opinião nos comentários! Vamos debater como isso afeta a nossa comunidade.

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